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Máquina de leitura empática

http://fnabais.planetaclix.pt/mle/

Se a introdução conceptual desta peça fosse um dos poemas dos Exercícios de Fonética Nº 5 e Nº 7 de Liberto Cruz que lhe serve de inspiração, poderia ser algo assim:

Age     reage              Age            reage             Som            bom             tom            Som            bom             tom

Vê             sê             lê            Vê             lê            sê

som            bom             reage              tom            age            bom

Lê vê sê

A máquina de leitura empática procura adaptar a dinâmica de leitura de um texto por parte do utilizador agindo cinéticamente sobre esse mesmo texto.
Poderíamos pensar num teleponto de poesia, dinamicamente reactivo ao leitor.
Disfarça-se de ferramenta empática para, na realidade, ser quase um objecto inútil, no sentido em que deturpa a função de uma ferramenta e torna a actividade que esta deveria facilitar – a leitura do poema – mais complicada, com a sua própria empatia cinética. No entanto, para além da interactividade directa, convoca também a contemplação da representação cinética que resulta do impulso do leitor. Este, lendo o texto, vai dando vida ao sistema de partículas. Com as palavras emitidas, o leitor aplica impulsos ao sistema, o qual prossegue o seu movimento para além da acção desse impulso, conduzido por regras de simulação física dessas partículas, nesse sistema.

Sistemas de partículas

Podemos considerar que a palavra é uma partícula de um sistema com regras muito próprias que é a linguagem. Estas partículas podem arranjar-se em sub-sistemas com características e formas também próprias que todos identificamos em poemas, romances, noticias, etc. É deste conjunto de regras, imenso mas ainda assim identificável em cada uma das línguas humanas, que se torna possível a aplicação de princípios matemáticos à sua representação no universo digital. Em primeiro lugar pela própria tipografia e toda a carga emocional e comunicacional que representa. A um outro nível pela aplicação de regras linguísticas a essa representação digital que permitem criar dicionários, thesaurus, motores semânticos e muitas outras operações sobre texto que as ferramentas de edição de texto e muitos artistas digitais têm desenvolvido.

Áudio/Fonética

Cruzando os princípios anteriormente descritos com a utilização da linguagem na sua forma verbalizada, abrem-se imensos horizontes de expressão artística.
A máquina de leitura empática analisa o som proferido pelo leitor na leitura do poema, transformando-o em valores numéricos que vão afectar a respectiva componente visual.

A forma como dizemos uma palavra, uma frase, representa um enorme valor comunicacional, por vezes tão elevado como o sentido da própria palavra. Também a tradução da análise destas características em bits, abre um enorme leque de possibilidades de correlação, transformação e todo o tipo de operações computacionais.

É no cruzamento das questões referidas que esta Máquina de Leitura Empática aplicada aos poemas fonéticos de Liberto Cruz se situa. A representação visual e comportamental dos poemas associados a sistema de partículas, a definição de regras para o seu comportamento, assim como a análise áudio da respectiva leitura, proporcionam ao leitor uma experiência que se procura empática e de experimentação.

O poema reage ao seu leitor.

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